
Amante da Terra e da sua terra, dos lugares de estada, de passagens e de paisagens vivamente sentidas no esplendoroso acto primordial da criação pura, enraizado no seu fundo originário de viandante em poemas-imagens, Acácio Costa escreve esta obra de teor ambientalista imerso na consciência imperativa da preservação da Natureza, evidentemente pautada, somente possível, pelo Amor Universal que por ela nutre. Alerta-nos, ao mesmo tempo, para a necessidade, cada vez mais categórica, de a alimentar nestes tempos de infortúnio, severamente marcados pela ausência (quase total) do discernimento ético, obviamente observável através dos múltiplos exemplos das inescrupulosas acções dos Homens despidos da Humanitas, das quais resulta o vandalismo ecológico em crescendo. Assim o evidencia, com assaz lucidez e espírito realmente crítico, ao citar Leonardo de Vinci, Victor Hugo, Al Gore e, sobretudo, Seattle, chefe da tribo Dwamish, retomando o seu apelo legítimo ao pretenso “comprador da Terra”, Isaac Stevens, Governador de Washington, enfatizando uma das máximas inquestionavelmente perenes sobre o valor da Terra, tão sagrada quanto consagrada: Tudo que acontecer à Terra acontecerá aos Filhos da Terra.
Ah, a Terra, o nosso mais nobre e precioso bem! Ah, a Terra, qual casa que sempre nos acolhe e reco-lhe, apesar do nosso estado de não-salvaguarda, não obstante todos os seus gritos de alerta, que já não escutamos mais (permanecemos de ouvidos moucos, padecemos de uma selecção auditiva por conveniência), perante o massacre de que é vítima pelas nossas mãos criminosas!
“Janelas da Natureza” é, justamente, a exemplificação literal dessa exclamação da Terra, da Natureza, a arte de Deus, que ecoa no autor como se fosse a sua, sempre em pleno estado de mensagem-alerta. A Natureza é Útero perpétuo, é Mãe bem-dita por todas as suas dádivas incondicionais, mesmo perante a constante ingratidão da Humanidade autocentrada na ambição desmedida (já o havia constatado Prometeu agrilhoado nos rochedos do Cáucaso, depois de furtar o fogo divino, do qual esta espécie bi-céfala brotou), denunciada pelo poeta em prol da defesa urgente do imaculado da Terra virgem, na Paz do Criador, que tanto almeja.
Isabel Rosete
(Excerto do Prefácio)
- Autor: Acácio Carvalhal Costa
- N.Pág's.: 166
- ISBN: 978-989-691-365-6
- Descrição:
Amante da Terra e da sua terra, dos lugares de estada, de passagens e de paisagens vivamente sentidas no esplendoroso acto primordial da criação pura, enraizado no seu fundo originário de viandante em poemas-imagens, Acácio Costa escreve esta obra de teor ambientalista imerso na consciência imperativa da preservação da Natureza, evidentemente pautada, somente possível, pelo Amor Universal que por ela nutre. Alerta-nos, ao mesmo tempo, para a necessidade, cada vez mais categórica, de a alimentar nestes te...
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